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UFRJ: reitora quer abrir ala de museu para 200 anos da independência

FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasi

UFRJ: reitora quer abrir ala de museu para 200 anos da independência

Denise Pires de Carvalho espera apoio internacional para reforma

Informações Compartilhadas Agencia Brasil

Primeira mulher a assumir a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires de Carvalho recebeu hoje (8) o cargo do ex-reitor Roberto Leher e disse que pretende reabrir ao menos uma ala do Palácio São Cristóvão, do Museu Nacional, até o Bicentenário da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022. O palácio foi destruído por um incêndio em 2 de setembro do ano passado, tragédia que causou grande prejuízo ao acervo e à pesquisa brasileira.. 

"Estamos trabalhando para que pelo menos uma parte do palácio possa ser inaugurada no bicentenário da Independência. Vamos trabalhar para isso e espero que possamos ter o apoio não só da comunidade nacional, da nossa sociedade, mas da sociedade internacional", ressaltou.

A reitora lembrou que é preciso recuperar também salas de aula e laboratórios destruídos pelo incêndio e descreveu que a reconstrução do museu se dará em três frentes: o palácio; as áreas acadêmicas, que ficarão em um prédio novo; e a reforma do Horto Botânico do Museu Nacional, área que passou a concentrar todas as atividades desde o incêndio. 

"Esperamos que as obras para os laboratórios e salas de aula comecem e se concluam antes disso [reinauguração do Palácio]. Esperamos que elas comecem ainda este ano".

reitora UFRJ
reitora UFRJ - Diogo Vasconcellos (Coordcom/UFRJ)

Contas atrasadas

Médica e professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Denise discursou na transmissão de cargo e concedeu entrevista à imprensa após o evento. A reitora comentou os desafios da instituição, como contas atrasadas, e pediu que seja revisto o contingenciamento de recursos das universidades federais, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). 

"A UFRJ tem, no momento, uma situação muito mais grave que as outras instituições federais", destacou ela. "As universidades federais como um todo deixarão de pagar suas contas a partir de julho [com o contingenciamento]. A UFRJ não paga água há 24 meses. Ela tem a conta de luz sem ser paga desde janeiro". 

A reitora acrescentou que também estão atrasados pagamentos a empresas de segurança e limpeza, que estão em negociação entre a reitoria e as empresas terceirizadas.  "São os contratos vigentes que estão atrasados. Não é possível manter as atividades de uma instituição como a nossa sem que o MEC nos aporte recursos neste momento. Não temos caixa para pagar os contratos", disse ela, que vai à Brasília se reunir com representantes do ministério na semana que vem.

A falta de recursos também pode afetar o resgate de peças do Museu Nacional na área atingida pelo incêndio. Segundo Denise, o trabalho realizado até agora contava com verba emergencial liberada no ano passado, mas o dinheiro já acabou. Além disso, a reconstrução contará com R$ 55 milhões de verba aprovada por emenda parlamentar da bancada fluminense no Congresso Nacional, mas parte dela também foi contingenciada. "Estamos trabalhando com projetos para utilizar 20% desse valor ainda este ano. Neste momento, o MEC precisa liberar 20% dessa emenda de bancada".

Procurado pela Agência Brasil, o MEC disse que os pagamentos efetuados têm por base a legislação que estabelece limites para todo o Poder Executivo Federal. "Entretanto, na expectativa de uma evolução positiva nos indicadores fiscais do governo, o MEC vem articulando com o Ministério da Economia a possibilidade de ampliação dos limites de empenho e movimentação financeira a fim de cumprir todas as metas estabelecidas na legislação para a Pasta. Caso o cenário econômico apresente evolução positiva no segundo semestre, os valores bloqueados serão reavaliados", informou o ministério.

Maioria de pró-reitoras

Denise também anunciou que vai aumentar a presença feminina em cargos de gestão da instituição. Entre as sete pró-reitorias, quatro serão geridas por mulheres, e a medida também deve se estender às superintendências da universidade federal.

"Estamos mudando não só a reitora, do sexo feminino, mas buscamos a igualdade de gênero e buscaremos nos cargos de pró-reitoria e superintendência, sempre de mãos dadas. Não é uma competição com os homens, é o que é justo", defendeu ela. "As mulheres são força de trabalho como os homens, e os cargos de destaque também devem ser alcançados por mulheres. Isso faz parte de uma sociedade mais justa e igualitária".

 

FONTE: Agencia Brasil
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