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Depois do ouro, agora é o petro que vai salvar economia venezuelana?

FOTO: © AFP 2018 / Federico Parra

Depois do ouro, agora é o petro que vai salvar economia venezuelana?

O presidente da Venezuela anunciou nesta semana uma reestruturação do petro, a criptomoeda criada há seis meses pelo seu governo para fugir das sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a Caracas.

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Mas que impacto real essa moeda poderá ter na economia venezuelana?

A pré-venda da criptomoeda venezuelana, fixada em 60 dólares e com lastro em ouro, ferro, alumínio e diamante foi lançada em fevereiro, mas, até agora, eram desconhecidos os detalhes de sua comercialização. Ontem, o chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, fez um grande estardalhaço ao anunciar sua reestruturação, dizendo que o petro irá não apenas fortalecer o seu programa de recuperação econômica, mas também "revolucionar a criptoeconomia mundial como nova forma de intercâmbio comercial, financeiro e monetário". Segundo Maduro, com essa moeda, a Venezuela irá lançar um plano especial para fortalecer suas reservas internacionais, crescendo, se consolidando e apoiando o sistema cambial e monetário do país. Mas será o petro capaz mesmo de tamanha revolução?

Para o especialista venezuelano Rafael Villa, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), a grande aposta de Caracas em uma moeda virtual reflete a dificuldade da administração de Maduro para encontrar opções para tentar baixar a inflação e retomar o controle da economia venezuelana. De acordo com ele, na prática, a Venezuela vai passar a funcionar com duas moedas: o bolívar soberano, no mercado interno, e o petro, nas transações internacionais. 

"O que acontece é que o governo tenta se aferrar ao único recurso que o país produz de maneira mais sólida e do qual depende a economia. E tenta criar um efeito psicológico na população ao denominar essa moeda de petro, em referência ao petróleo", disse o acadêmico em entrevista à Sputnik Brasil. 

Segundo Villa, até o momento, o governo venezuelano ainda não deixou claro os critérios para a fixação do petro no valor de 60 dólares. No entanto, ele acredita que se as autoridades do país conseguirem mostrar que existe uma fundamentação econômica nisso, a moeda poderá certamente ganhar confiança da população e também internacional. 

"Mas se o governo não deixar claro os critérios e parâmetros nos quais se fundamenta essa relação monetária, também não vai ter um efeito tão positivo em relação à confiança nacional e internacional."

FONTE: Sputnik Brasil
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