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Outra crise bate à porta? Conheça 2 países que ameaçam economia mundial

FOTO: CC0 / Pixabay

Outra crise bate à porta? Conheça 2 países que ameaçam economia mundial

Os economistas temem que possa chegar uma nova crise mundial. Como em 1997, esta crise começará nos mercados em desenvolvimento. A Argentina e a Turquia estão em risco de serem as primeiras vítimas da nova turbulência econômica.

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Premissas de uma crise global

Nos últimos meses, as moedas de quase todos os países em desenvolvimento têm experimentado algum tipo de pressão exercida por uma combinação de fatores, como o aumento da rentabilidade dos títulos dos EUA e o fortalecimento do dólar, disse Marsel Salikhov ao portal russo RBC. Para ele, essa combinação de fatores diminui a atratividade dos ativos em muitos países em desenvolvimento para os investidores internacionais.

O primeiro sinal de que o boom nos mercados em desenvolvimento finalmente acabaria foi o fato de, no fim de 2016, a Reserva Federal dos EUA ter aumentado suas taxas de juro. Na sequência dessa medida, os países com grandes déficits em suas contas correntes e que tinham enormes encargos da dívida externa se encontraram em uma zona de risco.

"Não é uma surpresa que os primeiros a se tornarem vítimas foram jogadores fracos na equipe dos mercados em desenvolvimento como a Argentina e a Turquia", afirmou o jornalista.

Por que a Argentina? 

A inflação que saiu do controle do Banco Central da Argentina, o aumento inesperado dos impostos para os investidores não residentes e o agravamento das previsões de colheitas de soja contribuíram para o êxodo massivo dos investidores deste país latino-americano.

Nessas condições, a taxa de câmbio do peso argentino entrou em colapso no fim de abril. Para apoiar a moeda nacional, o Banco Central da Argentina aumentou a taxa de juro de 27,25% para 40% e em uma semana vendeu quase 10% de suas reservas em moedas estrangeiras tentando intervir no mercado. No entanto, essas medidas que deveriam ter funcionado, não deram certo. A cotação do peso continuou caindo. Quais foram as razões pelas quais essas medidas não foram suficientes?

Salikhov acredita que a causa disso é a política aplicada pelo presidente argentino, Mauricio Macri. Ao chegar ao poder em 2015, o presidente prometeu mudar radicalmente a política econômica na Argentina.

Sua estratégia estava baseada em um plano que previa reduzir o déficit orçamentário em vários anos. No início os jogadores do mercado acreditaram em suas promessas e os investimentos estrangeiros na economia da Argentina aumentaram. Esses fluxos permitiram ao governo de Macri reduzir o déficit. Entretanto, depois de aparecerem os primeiros relatórios que as metas estabelecidas por Macri estavam sendo reconsideradas, os investidores abandonaram o mercado argentino.

A lira doente de Erdogan

Durante muito tempo, a Turquia também tem sido o ponto fraco entre nos países em desenvolvimento. Atualmente, sublinhou o analista. 

"Atualmente, o país tem um imperturbável déficit na conta corrente entre 4 e 6% do PIB e um déficit orçamentário crónico de 2 ou 3% do PIB. Nessas condições Ankara precisa constantemente aumentar sua dívida externa", disse o autor.

No ano passado, as autoridades turcas decidiram apoiar a economia e deram créditos àqueles que necessitavam. Esta política de crédito suave permitiu aumentar o crescimento do PIB da Turquia até ao da China: 7,4%. O aumento do dinheiro em circulação contribuiu para que a inflação superasse 10%.

Apesar disso, o Banco Central da Turquia não teve pressa para aumentar as taxas de juro e mostrar sua independência. Os investidores internacionais, por sua vez, estavam muito preocupados com este movimento e com as declarações do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que a diminuição das taxas de juro poderia ajudar a reduzir a inflação.

Salikhov sublinha que isso contradiz completamente a teoria econômica tradicional: não é possível reduzir a taxa de inflação sem recorrer a uma maior taxa de juro, porque essa medida ajuda a reduzir o volume de dinheiro em circulação.

Lições da história

O proeminente economista norte-americano Paul Krugman acredita que a nova tempestade econômica global se assemelhará à crise asiática de 1998.

Naquela época, a desvalorização das moedas nacionais dos países em desenvolvimento levou a um aumento dos encargos de sua dívida externa denominada em moedas estrangeiras. Como consequência, o encargo da dívida real não fez nada senão aumentar. Esse aumento enfraqueceu a economia dos Estados asiáticos.

FONTE: SPUTNIK BRASIL
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